O conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã voltou a mexer com os mercados globais e já deixou marcas claras no Brasil. Desde a escalada das tensões no Oriente Médio, o preço do petróleo disparou, a bolsa brasileira alternou forte volatilidade e o dólar perdeu força até se aproximar de R$ 5,00, um patamar não visto desde abril de 2024.
Na prática, a guerra reacendeu o apetite por ativos ligados a commodities e favoreceu empresas exportadoras e petroleiras, enquanto aumentou a cautela com setores mais sensíveis a custos de energia e inflação. Ao mesmo tempo, a perspectiva de cessar-fogo e a redução recente da aversão ao risco ajudaram o real a se valorizar, pressionando a moeda americana para baixo.
Bolsa brasileira sentiu o choque do petróleo
No início do conflito, a B3 reagiu com forte instabilidade, em linha com o aumento dos preços do petróleo e o temor de uma escalada prolongada no Oriente Médio. A Petrobras ganhou protagonismo na bolsa em meio à valorização do barril, mas o efeito no índice geral foi misto, porque a alta das petroleiras conviveu com maior aversão ao risco e pressão sobre setores mais dependentes de juros e inflação.borainvestir.
Nos últimos pregões, porém, o mercado passou a precificar a possibilidade de distensão, e isso impulsionou o Ibovespa a uma sequência de recordes. Na sexta-feira, dia 10, o índice fechou acima de 197 mil pontos pela primeira vez, em alta de 1,12%, enquanto acumulou ganho semanal de 4,93%. Antes disso, o índice já havia renovado máximas históricas e fechado em 195 mil pontos, apoiado pelo alívio com as negociações entre EUA e Irã.
Dólar perde força e flerta com R$ 5,00
O câmbio foi um dos termômetros mais sensíveis da crise. A moeda americana chegou a subir com a deterioração do cenário internacional, mas perdeu força conforme cresceu a expectativa de cessar-fogo e recuou o índice global do dólar, o DXY.
Na sexta-feira, o dólar à vista fechou em queda de 1,03%, a R$ 5,010, menor cotação em dois anos, após tocar R$ 5,00 ao longo do pregão. Na véspera, havia encerrado a R$ 5,0626, no menor fechamento desde abril de 2024. O movimento foi reforçado pela melhora do humor externo e pela leitura de que o real ganhou fôlego com a redução da aversão ao risco.
Ouro avançou como refúgio, mas perdeu ímpeto
O ouro foi beneficiado no primeiro momento pela busca global por proteção, comportamento típico em períodos de conflito geopolítico. A commodity chegou a subir com força quando o mercado passou a temer impactos mais severos sobre energia, inflação e crescimento, inclusive com projeções mais altas para o metal em 2026.
Ao longo dos dias seguintes, porém, o metal perdeu parte do impulso com a redução das tensões e com a valorização do dólar em alguns momentos, mostrando que o Ativo de refúgio continua muito sensível ao rumo da guerra e às expectativas sobre juros e inflação. Em outras palavras, o ouro se fortaleceu como porto seguro, mas não sustentou alta linear, porque o mercado também passou a reagir à possibilidade de normalização do cenário.
Efeitos para o Brasil
Para o Brasil, a principal consequência foi a combinação de petróleo mais caro, maior pressão sobre a inflação e maior volatilidade nos ativos financeiros. Esse efeito atinge diretamente combustíveis, logística e expectativas para a política monetária, já que a alta do barril tende a contaminar índices de preços e limitar o espaço para cortes de juros.
Ao mesmo tempo, empresas ligadas a commodities, especialmente petróleo e minério, podem se beneficiar em momentos de estresse geopolítico, o que ajuda a explicar a resiliência de parte da bolsa brasileira. O resultado é um mercado dividido entre risco e oportunidade, com o conflito no Oriente Médio funcionando como variável central para a formação de preços.
Fontes
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