Imagem de um garimpo aberto no meio da floresta amazônica à beira de um rio

Governo brasileiro aguardou o término da COP26 para divulgar um dos seus piores relatórios de desmatamento da Amazônia nos últimos 30 anos. O pior em 15 anos: 13.235 km² de desmatamento.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), concluiu a estimativa da taxa de desmatamento na Amazônia Legal Brasileira (ALB). O valor estimado foi de 13.235 km2 de corte raso no período de 01 agosto de 2020 a 31 julho de 2021. Esse valor representa um aumento de 21,97% em relação a taxa de desmatamento apurada pelo PRODES 2020 que foi de 10.851 km2 para os nove estados da ALB. Esta estimativa é fruto do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES).

O mapeamento do PRODES é feito com base em imagens do satélite Landsat ou similares, para registrar e quantificar as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. O PRODES considera como desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso, independentemente da futura utilização destas áreas. A estimativa da taxa
2021 foi calculada a partir da análise de 106 cenas prioritárias de todos os estados da ALB.

Para gerar esta estimativa, o INPE analisou um subconjunto de 106 cenas do sensor OLI/Landsat-8 dentro das 229 que recobrem a Amazônia Legal. As 106 cenas selecionadas como prioritárias atendem a três critérios: 1) cobrir a região onde foram registrados pelo menos 90% do desmatamento no período anterior do PRODES (agosto/2019 a julho/2020); 2) cobrir regiões onde foram registrados pelo menos 90% dos avisos de desmatamento do DETER 2020/2021; e 3) cobrir os 54 municípios prioritários para fiscalização referidos no Decreto Federal 6.321/2007 e atualizado em 2018, 2020 e 2021 pelas Portarias No. 428, 161 e 9 do 19 de novembro de 2018, 15 de abril de 2020 e 11 de janeiro de 2021 do Ministério do Meio Ambiente (MMA). A localização dessas 106 cenas é mostrada na Figura 2.

Para explicitar a confiabilidade da taxa obtida, o valor da estimativa do desmatamento foi simulado para 5000 conjuntos de 95 cenas selecionadas aleatoriamente dentre as 106 cenas prioritárias. Os resultados das medianas se mostrou bastante próximo das estimativas dos estados baseadas nas 106 cenas e das médias. A proximidade dos valores de tendência central mostrou uma boa capacidade preditiva, e a amplitude dos desvios padrões mostrou que a quantidade amostrada foi adequada. A Tabela 3 mostra os resultados (estimativa, desvio padrão, média e mediana) encontrados para cada um dos estados e a Figura 3 ilustra os resultados.

A confiança nessa estimativa, segundo o INPE, pode também ser observada pela grande quantidade de cenas
usadas para sua geração. Com o uso das 106 cenas Landsat/OLI foi possível cobrir uma região
com 95,4% das ocorrências de desmatamento no ano PRODES 2020. Como o desmatamento
é um evento com forte correlação espacial, a expectativa de ocorrência de muitos focos de
desmatamento fora dessa área é pequena.

As Figuras 4 e 5 mostram respectivamente a série histórica do PRODES para a ALB em km2 considerando em 2021 o valor da estimativa apresentada nessa nota, e a variação percentual de um ano para o outro, para toda a série de taxas do PRODES.

Fonte: INPE